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Terapia do homem: por que eles ainda evitam cuidar da saúde mental?

Terapia do homem: por que eles ainda evitam cuidar da saúde mental?

Luciano Messias

Psicólogo

CRP-SP: 06/148895

Dr.Luciano Messias

Muito se fala hoje sobre a chamada “crise da masculinidade”. Ao mesmo tempo, cresce o número de homens que enfrentam sofrimento emocional, mas ainda resistem à ideia de procurar ajuda psicológica. Com isso, o que muitas vezes começa como ansiedade, angústia ou sobrecarga emocional acaba se transformando em sintomas físicos: alergias, tonturas, taquicardia, esgotamento mental, falta de ar, dores no corpo, medos aparentemente sem explicação, alcoolismo e uso de drogas. 

O problema maior não é a dor, mas o silêncio.

Durante gerações, muitos homens foram ensinados que ser masculino significa ser forte, estar sempre no controle e jamais demonstrar fragilidade. Dentro dessa lógica, pedir ajuda pode parecer sinal de fraqueza. Assim, muitos preferem acreditar que ainda são “fortes o suficiente” ou que “ainda não chegaram ao ponto de precisar de terapia”.

Mas essa crença, na prática, funciona como uma areia movediça emocional: quanto mais o homem tenta suportar tudo sozinho, mais profundo pode se tornar o sofrimento.

O mundo mudou — e o papel do homem também

Vivemos em uma época de mudanças profundas: revoluções tecnológicas, transformações no mercado de trabalho e novas dinâmicas sociais estão redefinindo os papéis que desempenhamos na sociedade. E isso inclui o papel masculino.

Hoje, espera-se que o homem desenvolva habilidades que muitas vezes nunca fizeram parte da sua educação emocional e psicológica:

  • O pai é incentivado a ser mais presente e afetivo;
  • O gestor precisa se comunicar com clareza e oferecer feedbacks com “responsabilidade afetiva”;
  • O parceiro é chamado a dividir responsabilidades domésticas;
  • O namorado precisa desenvolver escuta ativa, empatia e ser capaz de resolver conflitos conjugais sem deixar o famoso “climão” no ar.

Essas mudanças são importantes e positivas. Mas existe um detalhe crucial: muitos homens nunca foram ensinados a lidar com essas demandas. Sem ferramentas emocionais adequadas, surgem conflitos, dificuldades na comunicação, relacionamentos superficiais, impulsividade, incapacidade de resolver problemas e frustrações constantes — tanto na vida pessoal quanto profissional. É nesse ponto que muitos homens começam a sentir que algo não está funcionando, mas ainda assim não sabem por onde começar.

Onde entra a terapia?

Pensem comigo, quando uma profissão exige novas habilidades, o caminho natural é buscar formação e capacitação. Então por que seria diferente quando falamos de habilidades emocionais, cognitivas e relacionais?

A terapia oferece justamente esse espaço: um ambiente seguro para compreender emoções, desenvolver autoconhecimento e aprender habilidades que não foram ensinadas durante o desenvolvimento emocional.

Ao longo do processo terapêutico, muitos homens passam por uma transformação significativa. A ideia de masculinidade baseada apenas em controle, força e invulnerabilidade começa a dar lugar a uma versão mais madura e consciente do masculino.

Surge um homem que:

  • se comunica melhor;
  • resolve conflitos com inteligência emocional;
  • constrói relações e conexões pessoais mais profundas;
  • desenvolve empatia real;
  • torna-se um pai mais presente;
  • e um líder mais humano no ambiente profissional

Ou seja, a terapia não enfraquece o homem. Ela o fortalece de forma mais completa!

A pergunta que fica…

Se desenvolver novas habilidades profissionais é visto como inteligência e crescimento, por que ainda existe tanto preconceito quando falamos de desenvolvimento emocional?

Talvez seja hora de rever suas ideias e crenças antigas.

A terapia é realmente coisa de gente fraca, ou de pessoas corajosas o suficiente para evoluir?

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