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Obesidade e infertilidade masculina: entenda como o excesso de peso afeta a fertilidade

Obesidade e infertilidade masculina: entenda como o excesso de peso afeta a fertilidade

Melissa Malfate

Nutricionista

CRN-SP: 72993

Melissa Malfate

Dra. Raíssa Neiva

Médica Endocrinologista e Clínica Médica

CRM-SP: 195311 / RQE: 102316 / RQE: 102317

Raíssa Neiva

O que é hipogonadismo associado à obesidade?

O hipogonadismo masculino associado à obesidade (MOSH) é uma condição caracterizada pela produção insuficiente de testosterona e/ou espermatozoides, causada por alterações no eixo hipotálamo-hipófise-testicular. Estima-se que cerca de 64% dos homens com obesidade apresentem algum grau de disfunção hormonal, com impacto direto na fertilidade.

Embora nem todos relatem sintomas evidentes, fadiga, queda da libido, desânimo e falta de energia são queixas frequentes. No entanto, o principal sinal clínico que merece atenção é a infertilidade, presente em mais da metade dos homens diagnosticados com hipogonadismo.

Como a obesidade interfere na fertilidade masculina?

A obesidade interfere em diversos mecanismos do sistema reprodutor. Entre os impactos mais relevantes estão:

  • Redução na quantidade e na qualidade dos espermatozoides: Homens obesos têm até três vezes mais chance de apresentar contagem espermática abaixo do ideal. Casos de oligozoospermia (baixa concentração de espermatozoides) e azoospermia (ausência total) são mais frequentes nessa população.
  • Danos ao DNA espermático: A obesidade induz estresse oxidativo, aumentando a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), que comprometem a integridade genética dos espermatozoides e podem afetar a saúde do embrião.
  • Alterações hormonais: O excesso de tecido adiposo aumenta a conversão de testosterona em estrogênio, prejudicando o eixo hormonal responsável pela espermatogênese. Além disso, o aumento da insulina e a resistência à leptina agravam esse desequilíbrio hormonal.
  • Aumento da temperatura escrotal: O acúmulo de gordura abdominal pode elevar a temperatura dos testículos, impactando negativamente a maturação dos espermatozoides.
  • Disfunção erétil e apneia do sono: Ambos são fatores agravantes que prejudicam a função sexual e a fertilidade, frequentemente associados à obesidade.

Como tratar a infertilidade masculina associada à obesidade?

A perda de peso, associada a uma alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, é uma das estratégias mais eficazes para melhorar a fertilidade masculina. A melhora metabólica pode aumentar a produção de testosterona endógena, restaurar a função hormonal e melhorar a motilidade e a morfologia dos espermatozoides.

Nutrientes com ação antioxidante, como vitamina C, vitamina E, betacaroteno, selênio e zinco, auxiliam na proteção do DNA espermático. Entretanto, o uso de suplementos e dietas específicas deve ser orientado individualmente por um nutricionista.

Em casos mais complexos, a utilização de medicamentos para obesidade ou até cirurgia bariátrica pode ser indicada, desde que respeitando o desejo reprodutivo do paciente e sob avaliação médica criteriosa.

E quanto à terapia hormonal?

A terapia com testosterona não é recomendada para homens que desejam fertilidade nos próximos meses, pois pode inibir a produção natural de espermatozoides. Para esses pacientes, o ideal é discutir com o urologista opções como o uso de gonadotrofinas, que estimulam diretamente os testículos a produzirem espermatozoides.

Homens com desejo futuro de paternidade devem considerar a criopreservação do sêmen antes do início de qualquer tratamento hormonal, especialmente em casos de baixa contagem espermática.

Avaliação individualizada é essencial

Cada caso deve ser avaliado de forma individual. A análise laboratorial do eixo gonadal, associada ao espermograma e ao exame clínico, é fundamental para definir o tipo de hipogonadismo — funcional (relacionado à obesidade) ou orgânico (genético ou estrutural). A partir disso, um plano terapêutico é traçado por uma equipe multidisciplinar, com urologista, endocrinologista, nutricionista e, se necessário, psicólogo.

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